
Cada vez mais cedo, crianças e adolescentes são submetidos a rotinas de treino que antes eram exclusivas de atletas adultos de alto rendimento. Sessões diárias, treinamentos duplos, especialização precoce em uma única modalidade, tudo isso com a melhor intenção dos pais e treinadores, mas com um risco que muita gente ainda não vê.
O problema é que o corpo de uma criança não é simplesmente uma versão menor do corpo adulto. Ossos, tendões e cartilagens ainda estão em pleno desenvolvimento, e quando submetidos à sobrecarga errada, podem sofrer lesões que deixam sequelas permanentes.
O Dr. Daniel Ximenes, um dos ortopedistas da Ortocenter Teresina, alerta: “Tenho visto cada vez mais crianças com dores no joelho típicas de atletas adultos. Tendinites, sobrecarga, sinais que muita gente ignora achando que é ‘normal do esporte’. O problema é que isso pode virar artrose muito cedo, lá pelos 30, 40 anos.”
Por que o joelho infantil é tão vulnerável?
O joelho é uma das articulações mais exigidas em qualquer modalidade esportiva. Em crianças e adolescentes, a região da placa de crescimento ainda está aberta e é muito mais frágil do que o osso já formado. Pressões repetitivas sobre essa área, sem o descanso adequado, podem comprometer o próprio crescimento ósseo. Além disso, a musculatura em desenvolvimento ainda não oferece estabilidade suficiente para absorver os impactos de treinos intensos.
O erro mais comum: achar que é “normal do esporte”
Uma das situações mais frequentes no consultório é receber crianças com histórico de dores que duraram meses, às vezes anos, antes de serem investigadas. A crença de que dor faz parte do esporte atrasa diagnósticos que, se feitos cedo, têm tratamento simples e resolutivo. Condições como a Síndrome de Osgood-Schlatter e as tendinopatias juvenis são cada vez mais comuns em crianças ativas, e todas respondem muito bem ao tratamento quando identificadas no início.
Sinais que não devem ser ignorados:
- Dor no joelho que piora durante ou após o treino
- Inchaço recorrente, mesmo sem queda ou trauma direto
- Dificuldade para subir escadas ou agachar
- Dor que volta toda vez que a criança retoma a atividade
O que fazer agora
A boa notícia é que a prevenção e o tratamento precoce funcionam muito bem. Na maioria dos casos, não é preciso parar completamente o esporte, mas sim ajustar a carga, tratar a região afetada e orientar o crescimento saudável da criança dentro da atividade física.
Se o seu filho pratica esporte com frequência e tem relatado qualquer desconforto no joelho — mesmo que intermitente, não espere piorar. Uma avaliação ortopédica pode fazer toda a diferença entre uma infância ativa e saudável e uma vida adulta com limitações crônicas.
