O que acontece quando o LCA rompe? Entenda o caso do atacante Rodrygo


Uma ruptura do ligamento cruzado anterior muda muito mais do que o calendário de jogos de um atleta. A lesão compromete a estabilidade do joelho, afeta a força muscular, interfere na confiança durante os movimentos e exige um processo cuidadoso de reabilitação.

Nosso médico do esporte, Dr. Rafael Levi, utiliza o caso do atacante brasileiro Rodrygo para explicar o que acontece dentro do joelho quando o LCA se rompe e por que o retorno ao esporte não pode ser determinado apenas pela passagem do tempo.

O Real Madrid confirmou, em 3 de março de 2026, que Rodrygo sofreu uma ruptura do ligamento cruzado anterior e do menisco externo do joelho direito. O jogador passou por cirurgia no dia 10 de março e iniciou, posteriormente, seu processo de reabilitação. caso envolva um atleta de alto rendimento, a lesão também pode acontecer com quem joga futebol no fim de semana, corre, pratica beach tennis ou participa de outras atividades que envolvem saltos, giros e mudanças rápidas de direção.

O que é o ligamento cruzado anterior?

O ligamento cruzado anterior, conhecido pela sigla LCA, é uma das principais estruturas responsáveis pela estabilidade do joelho.

Ele conecta o fêmur à tíbia e ajuda a controlar o deslocamento e a rotação entre esses dois ossos. Sua participação é especialmente importante em movimentos como:

  • Frear durante uma corrida;
  • Mudar rapidamente de direção;
  • Girar com o pé apoiado;
  • Saltar e aterrissar;
  • Acelerar depois de uma parada;
  • Disputar uma bola ou evitar um adversário.

Quando o LCA está íntegro, ele ajuda o joelho a permanecer estável durante esses movimentos. Quando ocorre uma ruptura, essa capacidade de controle pode ser comprometida.

O que acontece dentro do joelho quando o LCA rompe?

Quando o ligamento cruzado anterior se rompe, o joelho perde parte de sua estabilidade mecânica. A pessoa pode sentir que a articulação está “saindo do lugar”, cedendo ou falhando durante determinados movimentos.

Alguns dos sintomas mais frequentes são:

  • Estalo no momento da lesão;
  • Dor imediata;
  • Inchaço nas horas seguintes;
  • Dificuldade para apoiar a perna;
  • Limitação dos movimentos;
  • Sensação de falseio;
  • Insegurança para correr ou mudar de direção.

A dor e o inchaço podem diminuir com o passar dos dias, mas isso não significa necessariamente que o joelho recuperou sua estabilidade. Voltar precocemente às atividades pode aumentar o risco de novos episódios de falseio e de danos em outras estruturas da articulação. aso de Rodrygo também envolveu o menisco**

No caso de Rodrygo, o boletim médico informou não apenas a ruptura do LCA, mas também uma lesão no menisco externo, chamado de menisco lateral.

Os meniscos são estruturas que ajudam na distribuição das cargas, na absorção de impactos e no funcionamento adequado do joelho. Uma lesão associada pode tornar o planejamento do tratamento e da recuperação ainda mais cuidadoso.

Conforme explica o Dr. Rafael Levi, cada estrutura envolvida precisa ser considerada na definição das etapas da reabilitação. Por isso, dois atletas com uma ruptura do LCA podem apresentar prazos, limitações e necessidades diferentes.

Mesmo quando uma jogada é registrada em vídeo, somente as imagens não permitem determinar toda a extensão da lesão. O diagnóstico depende do exame clínico realizado por um médico e, normalmente, de exames de imagem.

Como uma ruptura do LCA pode acontecer?

Muitas pessoas imaginam que uma lesão grave no joelho precisa ser provocada por uma entrada forte ou por um choque direto. Entretanto, a ruptura do LCA também pode acontecer sem uma colisão evidente.

Um dos mecanismos mais comuns ocorre quando o pé permanece apoiado no chão enquanto o corpo muda de direção. O joelho recebe uma carga de rotação que pode ultrapassar a capacidade de resistência do ligamento.

A lesão também pode ocorrer durante uma aterrissagem desequilibrada, uma frenagem brusca ou uma tentativa de aceleração.

No futebol, esses movimentos fazem parte de praticamente todas as partidas. No beach tennis, saltos, deslocamentos laterais e mudanças de direção também exigem controle dos membros inferiores. Até mesmo corredores podem sofrer uma lesão ligamentar em situações de queda, desequilíbrio ou mudança inesperada de movimento.

Por que a recuperação do LCA demora tantos meses?

A recuperação não consiste apenas em esperar o ligamento cicatrizar ou o enxerto utilizado na cirurgia se integrar ao organismo.

O joelho precisa recuperar diferentes capacidades:

  • Amplitude completa de movimento;
  • Controle do inchaço;
  • Força muscular;
  • Equilíbrio;
  • Coordenação;
  • Estabilidade;
  • Resistência;
  • Velocidade;
  • Capacidade de saltar e aterrissar;
  • Segurança para girar e mudar de direção.

Nos primeiros momentos, o foco costuma estar no controle da dor e do inchaço, na recuperação do movimento e na ativação da musculatura. Posteriormente, os exercícios evoluem para fortalecimento, equilíbrio e controle neuromuscular.

Somente depois são introduzidos movimentos mais exigentes, como corrida, saltos, frenagens e mudanças de direção.

A progressão deve considerar a resposta individual do joelho. Uma etapa não deve ser avançada apenas porque determinado número de semanas ou meses foi completado.

Toda ruptura do LCA precisa de cirurgia?

Nem todas as pessoas com uma lesão do ligamento cruzado anterior recebem automaticamente uma indicação cirúrgica.

A decisão depende de fatores como:

  • Grau da lesão;
  • Presença de instabilidade;
  • Lesões associadas;
  • Idade;
  • Condição física;
  • Modalidade praticada;
  • Frequência esportiva;
  • Objetivos pessoais e profissionais.

Uma pessoa menos ativa, sem episódios de falseio e que não pretenda praticar esportes com giros pode ter necessidades diferentes das de um jogador profissional.

Atletas de modalidades que exigem acelerações, contato e mudanças rápidas de direção precisam de um nível elevado de estabilidade. Quando existem lesões associadas, como no caso de Rodrygo, o planejamento também considera a condição dos meniscos e das demais estruturas.

A escolha entre tratamento cirúrgico e não cirúrgico deve ser feita individualmente, após avaliação especializada.

Estar sem dor não significa estar pronto para jogar

Esse é um dos pontos mais importantes destacados pelo Dr. Rafael Levi.

A dor pode desaparecer antes que o joelho esteja realmente preparado para suportar as exigências do esporte. O atleta pode caminhar normalmente, realizar atividades cotidianas e até correr em linha reta, mas ainda apresentar dificuldade para frear, saltar, girar ou reagir a movimentos inesperados.

A liberação para voltar ao esporte deve avaliar critérios como:

  • Ausência de dor e inchaço;
  • Mobilidade adequada;
  • Força dos músculos da coxa e do quadril;
  • Controle durante aterrissagens;
  • Equilíbrio entre as pernas;
  • Qualidade dos movimentos;
  • Desempenho em testes funcionais;
  • Resposta aos treinamentos progressivos;
  • Confiança do atleta.

A recuperação após uma reconstrução do LCA geralmente leva vários meses. As referências clínicas apresentam uma faixa aproximada de seis a 12 meses, dependendo da evolução, da força e da mecânica dos movimentos. as jovens, um estudo observou que retornar a esportes exigentes para o joelho antes de nove meses esteve associado a uma taxa maior de uma segunda lesão. Esse dado não cria um prazo universal, mas reforça que antecipar o retorno pode ser arriscado. onfiança também faz parte da recuperação**

Uma ruptura do LCA não afeta somente músculos, ligamentos e movimentos. Ela também pode mudar a maneira como o atleta confia no próprio corpo.

Depois de uma lesão grave, é comum existir receio de:

  • Apoiar a perna;
  • Entrar em uma disputa;
  • Saltar;
  • Frear;
  • Repetir o movimento da lesão;
  • Sofrer uma nova ruptura.

Essa insegurança pode alterar a forma de correr, aterrissar ou proteger a bola. Por isso, a recuperação da confiança deve acontecer junto com a recuperação física.

Os exercícios progressivos ajudam o atleta a perceber que o joelho está novamente preparado para responder às diferentes exigências. Em determinados casos, o acompanhamento psicológico esportivo também pode contribuir.

A lesão no LCA não acontece apenas no futebol profissional

O caso de Rodrygo chama atenção por envolver um jogador conhecido mundialmente, mas a ruptura do LCA não é exclusiva do esporte de alto rendimento.

Ela pode acontecer com quem pratica atividade física de maneira recreativa, especialmente em modalidades que envolvem giros, saltos, contato ou mudanças rápidas de direção.

Quem apresenta um estalo seguido de inchaço, dor, dificuldade para apoiar a perna ou sensação de instabilidade deve interromper a atividade e procurar avaliação médica.

Continuar jogando porque a dor diminuiu pode agravar o quadro ou colocar outras estruturas do joelho em risco.

É possível prevenir uma ruptura do LCA?

Nenhuma estratégia elimina completamente o risco de uma lesão, mas um programa adequado pode ajudar a reduzi-lo.

A prevenção pode incluir:

  • Fortalecimento dos músculos das pernas e do quadril;
  • Exercícios de equilíbrio e coordenação;
  • Treinamento da técnica de aterrissagem;
  • Controle do alinhamento do joelho;
  • Progressão adequada das cargas;
  • Aquecimento antes da atividade;
  • Respeito aos períodos de descanso;
  • Preparação específica para as exigências do esporte.

Programas de condicionamento devem ser individualizados e realizados com orientação profissional, especialmente após uma lesão ou cirurgia. tar ao esporte exige mais do que esperar**

O caso de Rodrygo ajuda a mostrar por que uma ruptura do LCA muda muito mais do que o calendário de partidas.

Existe um caminho entre a cirurgia, a reabilitação e o retorno ao esporte. Esse caminho envolve a recuperação da mobilidade, da força, da estabilidade, da velocidade e da confiança.

Como explica o Dr. Rafael Levi, a pergunta não deve ser apenas “quantos meses já se passaram?”, mas também “o joelho está preparado para responder com segurança às exigências do esporte?”.

Essa avaliação vale tanto para um atacante da Seleção Brasileira quanto para quem joga futebol com os amigos, corre no parque ou pratica beach tennis durante a semana.

Perguntas frequentes sobre a ruptura do LCA

Quanto tempo demora a recuperação de uma ruptura do LCA?

O prazo varia conforme a gravidade da lesão, o tratamento realizado, a presença de outras estruturas comprometidas e a evolução individual. Após uma reconstrução cirúrgica, o retorno completo ao esporte pode levar de seis a 12 meses ou mais.

É possível caminhar com o LCA rompido?

Sim. Algumas pessoas conseguem caminhar depois que a dor e o inchaço diminuem. No entanto, isso não significa que o joelho esteja estável ou pronto para praticar esportes.

Toda lesão no LCA precisa ser operada?

Não. A indicação depende da instabilidade, das lesões associadas, do nível de atividade e dos objetivos de cada paciente.

Quais são os principais sintomas de uma ruptura do LCA?

Estalo, dor, inchaço, perda de movimento e sensação de que o joelho está cedendo são sintomas comuns. O diagnóstico deve ser feito por um profissional.

Quem rompe o LCA pode voltar a jogar futebol?

Muitos pacientes conseguem retornar ao futebol depois do tratamento e de uma reabilitação adequada. A liberação deve ser baseada em critérios clínicos e funcionais, e não apenas no tempo transcorrido.

Beach tennis pode causar lesão no LCA?

A lesão pode acontecer em qualquer modalidade que envolva giros, saltos, frenagens e mudanças rápidas de direção. O fortalecimento e o treinamento do controle dos movimentos ajudam a reduzir o risco.

Conclusão

A ruptura do ligamento cruzado anterior é uma lesão complexa porque afeta diferentes aspectos da função do joelho. Não basta controlar a dor ou esperar que o tempo passe. É necessário recuperar movimento, força, estabilidade, coordenação e confiança.

Ao explicar o caso de Rodrygo, o Dr. Rafael Levi chama atenção para uma mensagem que ultrapassa o futebol profissional: respeitar cada etapa da recuperação é fundamental para que o retorno ao esporte aconteça com mais segurança.

Ao sentir um estalo, perceber inchaço ou experimentar episódios de falseio, procure uma avaliação médica. Quanto mais cedo o problema for investigado, mais adequado poderá ser o planejamento do tratamento.