
As costas travaram. A dor é aguda, o movimento quase impossível, e a vontade é uma só: deitar e não mexer mais. Parece a única saída razoável, e é exatamente aí que mora o problema.
A Dra. Marília Capucho (Fisioterapeuta | CREFITO 169657-FO), fisioterapeuta da Ortocenter Teresina, alerta para um erro muito comum: no desespero de uma crise lombar, a maioria das pessoas segue um instinto que parece protetor, mas que pode transformar um episódio curto em uma dor muito mais longa e persistente.
Qual é esse instinto?
O repouso absoluto. Quando as costas travam, o corpo quase implora para parar completamente, ficar na cama, evitar qualquer movimento, aguardar a dor passar. Durante anos, inclusive, esse era o conselho médico padrão. Hoje, a ciência é clara em sentido contrário.
O que o repouso prolongado faz com a coluna
Poucas horas imóvel já são suficientes para a musculatura começar a perder tônus. A circulação nos tecidos diminui, a rigidez aumenta e o sistema nervoso, sem estímulo de movimento, tende a amplificar a percepção da dor. O que seria uma crise de dois ou três dias pode se estender por semanas, não por causa da lesão em si, mas pelo comportamento adotado logo depois dela.
O que fazer então?
Mover-se, com cuidado, dentro do tolerável, mas mover-se. Caminhadas curtas, mudanças de posição, mobilidade suave. O objetivo não é ignorar a dor, mas não deixar que o medo dela tome o controle. Na maioria dos episódios de crise lombar aguda, o movimento moderado acelera a recuperação e evita que o quadro se cronifique.
Cada caso tem suas particularidades, e a avaliação profissional define o melhor caminho. Mas o primeiro passo quase sempre, é não ceder ao instinto de paralisar.
