
A maioria das pessoas só procura um ortopedista quando a dor já chegou. Mas o problema começa muito antes disso nos pequenos hábitos que repetimos todos os dias sem prestar atenção.
Em entrevista à jornalista Vanusa Coelho, o Dr. Tiago Bruno, especialista em ombro e cotovelo, foi direto: a postura que mantemos no cotidiano pode sobrecarregar o ombro mais do que qualquer esforço físico intenso. E o grande fator de risco, muitas vezes, é algo que está na palma da mão.
O celular e o computador como vilões silenciosos
Passamos cada vez mais horas curvados sobre telas. Seja no trabalho, no transporte ou no sofá, o padrão se repete: cabeça inclinada para frente, ombros arredondados, coluna sem apoio. Esse acúmulo de má postura é uma das principais causas de dor no ombro, e raramente é reconhecido como tal.
O problema é que a sobrecarga não acontece de uma vez. Ela se instala aos poucos, ao longo de semanas e meses, até que um dia a dor aparece como se fosse “do nada”. Não é. Foi construída com o tempo.
“Não é só esforço físico. São hábitos silenciosos que vão se acumulando.”
O que dá para mudar antes que doa
Alguns ajustes simples na rotina já reduzem bastante a sobrecarga na articulação do ombro:
- Manter o celular na altura dos olhos ao usar por períodos prolongados, evitando a inclinação constante do pescoço.
- Ajustar a altura do monitor para que a tela fique na linha de visão, sem forçar a cabeça para baixo ou para cima.
- Fazer pausas regulares durante atividades estáticas, levantar e movimentar os ombros a cada 45 minutos já ajuda.
- Observar se os ombros estão elevados ou projetados para frente enquanto você trabalha.
- Apoiar os cotovelos ao digitar, evitando que os braços fiquem suspensos por longos períodos.
